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quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Smiles: por que voar GOL pros EUA rende menos milhas agora

Desde 17/06/2026 a Smiles pontua voos internacionais da GOL em dólar, não em real. Recalculei o impacto por categoria — e tem um teto novo que ninguém repara.

Jhonathan Meireles 4 min de leitura
Balcão de câmbio em aeroporto com cédulas de dólar sobre o balcão
Balcão de câmbio em aeroporto com cédulas de dólar sobre o balcão

Numa passagem de R$ 2.000 pra Miami, você ganhava 2.000 milhas qualificáveis até 16 de junho. Compre o mesmo bilhete hoje e o extrato mostra 767. A Smiles não chamou isso de desvalorização — chamou de “novidade”, no e-mail que mandou pros clientes. A palavra certa é câmbio, e ele trabalha contra quem recebe salário em real.

O que aconteceu

Passagens internacionais da GOL emitidas a partir de 17 de junho de 2026 (exceto rotas para a América do Sul) pararam de pontuar por real gasto e passaram a pontuar por dólar gasto — segundo a página oficial da Smiles sobre a mudança. Na regra antiga, cada R$ 1,00 na tarifa virava 1 milha qualificável, e a milha resgatável variava de 1 (categoria Smiles) a 6 (Magno) por real, mais o bônus de Rota Favorita.

Na regra nova, cada US$ 1,00 na tarifa vira 2 milhas qualificáveis — número igual pra todo mundo, independente de categoria — e a resgatável varia de 5 (Smiles) a 12 (Magno) por dólar, também com Rota Favorita por cima. Parece promoção: o número “por unidade monetária” subiu. O problema é a unidade monetária mudar de real pra dólar, e o dólar hoje custar bem mais que R$ 1,00.

O detalhe que passou batido nas coberturas que vi: a Smiles colocou um teto de 60.000 milhas resgatáveis por trecho nas rotas internacionais fora da América do Sul. Isso não existia na regra antiga. Quem compra uma executiva cara pra Europa ou EUA — a passagem que mais gerava milhas resgatáveis no modelo por real — agora esbarra num limite, mesmo que a conta “por dólar” desse mais que isso.

Por que a conta piora tanto (mesmo com mais milhas “por dólar”)

Refiz a simulação da Smiles pra um bilhete de R$ 2.000 pra Miami, convertendo pela cotação de referência do dia (≈ R$ 5,21/dólar), que dá US$ 383,88 de tarifa:

PerfilMilhas antigas (por real)Milhas novas (por dólar)Variação
Qualificáveis, qualquer categoria2.000767−61,7%
Resgatáveis, categoria Smiles (sem status)2.0001.919−4,1%
Resgatáveis, categoria Diamante (sem Rota Favorita)8.0004.223−47,2%
Resgatáveis, categoria Diamante (com Rota Favorita, 15/dólar)8.0005.758−28,0%

A milha qualificável — a que decide se você sobe ou mantém categoria na Smiles — cai quase dois terços pra todo mundo, do voo mais básico ao Magno. É a parte que dói mais silenciosamente, porque ninguém sente a perda até o extrato anual de recategorização chegar. Cliente sem status quase não sente na resgatável — o câmbio comeu quase todo o ganho nominal de “5 milhas por dólar” contra “1 por real”. Já quem tem Diamante ou Magno perde quase metade da resgatável, mesmo cadastrando Rota Favorita, porque o teto de 60 mil milhas por trecho passa a truncar exatamente os voos caros que essas categorias mais faziam valer a pena.

O que fazer com isso agora

  • Não jogue fora bilhete doméstico ou pra América do Sul pensando que a regra mudou — nada muda nessas rotas, o real-por-milha segue igual.
  • Cadastre a Rota Favorita antes de comprar se você tem status Prata pra cima: é o único jeito de recuperar parte da resgatável perdida, e o cadastro precisa ser feito com antecedência, não depois da compra.
  • Reconsidere concentrar a corrida por categoria em voo GOL internacional. Se seu objetivo é status, hoje vale mais somar milhas qualificáveis por outras vias (Clube Smiles, cartão) do que empilhar passagens caras pra fora da América do Sul.
  • Se a executiva é premium e cara, calcule ANTES de comprar se o teto de 60 mil milhas por trecho vai truncar seu ganho — acima de um certo valor de tarifa, gastar mais em dólar não rende mais milha nenhuma.
  • Compare com o CPM de simplesmente comprar milhas em promoção — pra quem só quer acumular pra resgatar EUA depois, pode sair mais barato girar cartão com bom multiplicador de categoria do que contar com o acúmulo de voo internacional.

Vale registrar: a regra de qualificação entre Smiles, Latam Pass e Azul Fidelidade já tinha uma pegadinha escondida no regulamento antes dessa mudança — a conversão pra dólar apenas empilha mais uma camada em cima de um sistema que já não era tão simples quanto o marketing sugere.

Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado. Editor do Milhas & Travel Hacking.

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