sexta-feira, 22 de maio de 2026
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LATAM Pass e o teto de 25% de bônus: o que mudou na sua estratégia de 2026

O bônus de transferência para o Latam Pass parou de subir. Recalculei o que isso faz com o seu milheiro e quando ainda compensa transferir. Análise de 17/05/2026.

Letícia Ribas 5 min de leitura
Pessoa usando notebook com gráfico de pontos de fidelidade na tela
Pessoa usando notebook com gráfico de pontos de fidelidade na tela

Quem transfere para o Latam Pass há mais de dois anos tem um número de referência guardado na cabeça: 30%. Era o bônus que aparecia quase toda promoção decente, o piso que fazia a conta fechar. Em 2026 esse número virou exceção. As ofertas de janeiro (Livelo, 25%), fevereiro (C6, 25%) e o pico isolado da Caixa (30% no aniversário) desenharam um teto novo — e ele está em 25%, não em 30%. Quem ainda espera o “bônus de sempre” para soltar os pontos está acumulando ponto parado num programa que se aprecia mais devagar que a inflação.

A tese: 25% não é uma promoção fraca passageira — é o novo piso

A leitura do site Melhores Cartões em fevereiro foi direta e eu concordo com ela depois de cruzar as ofertas dos últimos cinco meses: “tudo indica que essa será a tendência do programa para 2026: menos bônus e, talvez, ofertas menos frequentes”. Não é pessimismo de blogueiro. É o que o histórico de campanhas mostra desde janeiro.

Minha tese aqui é mais incômoda do que a do texto deles: parar de transferir não resolve. O ponto Esfera, Livelo ou de banco que você deixa parado esperando os 30% voltarem também perde valor — porque a milha Latam Pass que ele compraria está sendo emitida cada vez mais cara em precificação dinâmica. Você não está protegendo valor segurando ponto. Está só trocando uma perda visível (bônus menor) por uma invisível (passagem mais cara quando você finalmente for emitir).

Evidência 1: o que 25% faz no seu milheiro, com número

Vou usar o caso mais comum do leitor brasileiro: pontos Esfera saindo para o Latam Pass. A campanha recorrente da Esfera para o Latam Pass roda a 25% de bônus, com mais 1.000 milhas extras na primeira transferência e teto de bonificação de 300.000 milhas por CPF (regras da própria página de campanha Esfera/Latam Pass).

Suponha que você comprou ponto Esfera num desconto de 50% e pagou cerca de R$ 30 o milheiro (preço típico das promoções de compra de ponto que cobrimos em maio). Transferindo 100.000 pontos com 25%:

EtapaQuantidadeCusto / valor
Pontos Esfera comprados100.000R$ 3.000 (R$ 30/mil)
Milhas Latam Pass com 25%125.000
Custo efetivo por milheiroR$ 24,00
Mesmo caso com 30%130.000R$ 23,08
Mesmo caso com 50% (cenário antigo)150.000R$ 20,00

A diferença entre 25% e 30% é R$ 0,92 por milheiro — pouco numa transferência, R$ 184 num resgate de 200 mil milhas. A diferença real, a que dói, é entre o mundo de hoje (25%) e o mundo de 2023-2024 (50%+): R$ 4 por milheiro. Esse é o tamanho da devaluation silenciosa que ninguém coloca no banner.

Evidência 2: o bônus caiu, mas a tabela fixa segurou — e isso muda a conta

Aqui está o que salva o Latam Pass de ser um péssimo destino mesmo com bônus menor: a tabela fixa de resgate em voos LATAM ainda existe e ainda entrega trechos nacionais e regionais a preço previsível, fora da precificação dinâmica que destrói o CPM da concorrente. Um milheiro a R$ 24 emitido numa tabela fixa de trecho curto continua sendo um negócio defensável. O mesmo milheiro jogado num resgate dinâmico internacional em alta temporada não é.

Ou seja: o bônus menor não mata o Latam Pass. Ele mata a estratégia de “acumular muito ponto para emitir qualquer coisa”. O que sobra de pé é a estratégia cirúrgica — transferir só quando você já tem a emissão mapeada na tabela fixa.

Evidência 3: esperar custa, e dá pra medir

Quem segura ponto esperando os 30% voltarem aposta que a economia futura de 5% supera o custo de oportunidade de hoje. Faça a conta com o seu caso: se a passagem que você quer emitir hoje sai por 50.000 milhas e a tendência de precificação dinâmica do programa continua subindo (foi o padrão de 2025-2026), seis meses de espera podem encarecer essa mesma emissão em mais de 5%. Você economiza R$ 46 no bônus e perde mais que isso na milha mais cara. A espera só vale se o destino que você quer está na tabela fixa — porque aí o preço em milhas não muda enquanto você espera.

O contra-argumento honesto

Onde minha tese pode falhar: se a Caixa ou outro banco repetir um pico de 30% num aniversário, e você tiver uma emissão grande planejada, esperar três a quatro semanas por essa janela específica pode valer os R$ 0,92/mil. O ponto não é “transfira já, sempre”. É “pare de esperar o bônus genérico de 30% voltar como padrão — ele não vai”. Janela pontual de 30% existe; piso de 30% não existe mais.

Onde isso te leva

Trate 25% como o número de trabalho de 2026. Transfira quando: (1) você tem a emissão mapeada na tabela fixa LATAM, (2) o bônus está em 25% ou mais e (3) o ponto de origem foi adquirido a um custo que faz o milheiro final ficar abaixo de R$ 25. Fora disso, não acumule ponto especulando. O Latam Pass de 2026 premia quem emite com pontaria, não quem estoca.

Fontes

  • Melhores Cartões — “Transferência bonificada: 25% de bônus para o Latam Pass é o ‘novo normal’ em 2026?” (14/02/2026)
  • LATAM Pass — página de promoção Esfera Milhas Extras (latampass.latam.com)
  • LATAM Pass — página de promoção Bancos Milhas Extras (latampass.latam.com)
  • Esfera — página oficial LATAM Pass (esfera.com.vc)
  • Passageiro de Primeira — “LATAM Pass oferece 25% de bônus na transferência de pontos da Esfera” (2026)
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Escrito por

Letícia Ribas

Cobertura editorial independente de milhas, cartões e programas de fidelidade no Brasil — bonificações, redenções e travel hacking sem afiliado.

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